Netbook e Automação Industrial

Netbooks estão revolucionando a maneira com que usamos o PC. Estamos partindo para a era do cloud computing, onde o único trabalho que o nosso computador precisa ter é abrir um browser, e todo o resto será feito através dele. Duvida ? Os serviços do Google estão aí: os usamos e nem imaginamos aonde estão os dados, algumas coisas triviais (como checar mails) são feitas diretamente no browser, e por aí vai. Logo estaremos realmente utilizando softwares via browser.

O mercado de netbooks se auto-ajustou (isso me lembra aula de Economia com a profª Alice!): O seu form factor ganhou um padrão de telas de 9″ a 10″; HD´s acabaram ganhando seu nicho, em detrimento aos SSD´s (enquanto os preços destes não caem e/ou a capacidade aumenta), mas eles vieram pra ficar. Com a ajuda do poder computacional dos novos celulares, esta é a nova tendência.

Mas, e onde fica a automação industrial nessa ?

Não existem netbooks com portas seriais, indispensáveis para a programação em PLC´s antigos. Infelizmente, não é facil dizer para as empresas substituirem seus PLC´s antigos por novos, e nem mesmo comprar placas de interface Ethernet (ainda mais nestes tempos de crise). O tamanho das telas de netbook também traria alguns incômodos, principalmente naquelas horas em que defeitos se manifestam e gostaríamos de ter uma tela de 200″ para ver melhor as malhas 😉 .

Adaptadores USB / Serial ajudam, mas não resolvem o problema: drivers de comunicação da Allen Bradley (SLC-500, Control Logix, Micrologix, PLC-5, etc.) e Siemens (STEP-5, STEP7 e suas mil versões, Logo!) não gostam destes adaptadores, apresentando muitas falhas. Sem contar um outro pequeno dilema: precisaríamos de drives externos de CD e disquete para a instalação de softwares e licença. Sem contar que alguns PLC´s mais antigos, porém até hoje utilizados (PLC-5 ainda NÃO FOI ABANDONADO PELA ALLEN-BRADLEY!) utilizam hardkeys de porta paralela! Isso inviabiliza o uso de netbooks para a programação de PLC´s.

Infelizmente, a modernização do parque industrial não acompanha a modernização da computação.

O melhor uso de um netbook, para automatas, seria como os advogados e médicos utilizam os Palms até hoje: para consulta de literatura. Mas neste caso, o que valeria mais: um netbook ou um E-book Reader ?

Por fim, em minha opinião : netbooks são uma boa alternativa para estudantes, mas para automação industrial, os mesmos não têm a mesma usabilidade.

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4 comentários sobre “Netbook e Automação Industrial

  1. Concordo com você. Realmente a automação industrial não avança tão rápido quanto a computação.
    O engraçado são os paradoxos feitos pelos fabricantes de equipamentos de automação industrial. Posso falar com conhecimento de causa da Siemens, por exemplo. Por um lado ela lança kits de comunicação PC-PLC USB para os novos lap tops que vêm sem porta serial, e de outro lado, ela, até muito pouco tempo atrás, mantinha todas as chaves eletrônicas de seus principais softwares em disquetes. Um micro que não tem porta serial, muito provavelmente não terá drive de disquete!!!
    Com relação aos conversores USB-Serial, cheguei a trabalhar com alguns deles para comunicação com o relé inteligente Logo!. Percebi que dependendo principalmente da marca desses conversores, eles nos dão mesmo muita dor de cabeça.

  2. Muito bem colocado. Concordo e gostaria de contribuir para a discussão.

    De fato os equipamentos para informática em geral avançam muito mais rapidamente que os destinados à automação industrial. Contudo, é importante considerar que esse “avanço” nem sempre é acompanhado pela confiabilidade, que é essencial nas aplicações de controle de máquinas e processos.

    Quando a nova versão do Windows trava, por exemplo, normalmente perdemos um trecho do documento que estamos escrevendo, quebramos uma comunicação no skype, ou até, paramos o startup de uma máquina por alguns minutos.

    Contudo, se um CLP trava, ou há uma falha numa rede de periferia descentralizada, ou mesmo um supervisório envia um comando “equivocado” para o CLP, problemas graves podem ocorrer e até vidas podem estar em risco.

    Observo que são essas preocupações que “desaceleram” os avanços dos sistemas de automação industrial. Ou seja, a preocupação não é simplesmente dispor uma interface ethernet ou usb no CLP, mas garantir que o MTBF dela será grande o suficiente para não arriscar a integridade de nenhum projeto.

    Gosto muito de trabalhar com a linha Speed7 da VIPA. Ela dispõe de interfaces ethernet em todas as CPUs, o que já me resolve dois problemas (velocidade de comunicação e meio físico).

    Para comunicar com CPUs que só dispõem de interfaces seriais, adotamos módulos PCMCIA Seriais. Só o Step5 que por ser baseado em MSDos não reconhece a COM gerada por conversores USB-Serial ou PCMCIA Serial. A solução foi adquirir cabos USB-TTY fabricados pela Tecnatron.

    Parabéns pelo Blog.

  3. Não só concordo como tb sou uma vítima dessa defazagem tecnológica, tenho um PLC micrologix 1000 da Allen Bradley e o mesmo não conecta com conversores USB nem por reza. Estou a caça de um cabo USB-Micro, porém é tanta burocracia e tão ruim a assistência da Rockwell que estou abandonando o projeto final de curso com o PLC Allen Bradley e vou utilizar microcontrolador com supervisório em VB.(em vez do Intouch).

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