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Nokia N8: Relação de amor e ódio!

Os tempos mudam.

Em 2009, eu estava começando com este blog. Meus aparelhos principais eram todos da Nokia: um E71 (meu smartphone preferido), um N800, um fone de ouvido bluetooth BH-504. Somente o iPod Touch era um estranho no ninho. Resumindo: eu era um ista, isto é, defendia a marca com unhas e dentes.

Até o lançamento do N900. Sem avisar, a Nokia passou a versão do Maemo dos N8x0 para trás, e todo o site, estrutura, passaram para o N900. Meu tablet não possuía nem 6 meses de vida e já havia ficado ultrapassado; é claro que eu não gostei. Quando a bateria do E71 começou a apresentar sinais de desgaste, fui para um Motorola Quench e esqueci a Nokia. Não comprava mais nada da finlandesa.

No ano passado, comprei um Samsung Galaxy Ace. Um ótimo celular, bem posicionado no mercado de bugdetphone; porém, algo inusitado aconteceu: minha noiva, que simplesmente passava longe de toda e qualquer tecnologia, começou a se ligar. Primeiro com o netbook que eu a presenteei; depois, quando seu aparelho celular (LG Messenger) apresentou problemas, eu emprestei meu Quench e ela amou! Aprendeu a fazer tudo pelo celular.

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Windows Mobile. Já havia experimentado vários sistemas operacionais para dispositivos móveis: Symbian a 3 anos atrás, Palm OS, em dispositivos como um M130 que temos no trabalho, e, mais recentemente, com meu Tungsten E2, Maemo no N800, o Mac OSX móvel, do iPhone e do iPod, e por aí vai. Mas nunca havia colocado meus dedos em um aparelho com Windows Mobile.

Até que o usuário bleony, conhecidíssimo do fórum PDABr, compra um aparelho chamado i-Mate 8502 e faz um review dele. Ele, um profundo conhecedor de gadgets, disse em sua análise que este é um dos aparelhos com Windows Mobile que mais se adaptavam para as necessidades dele, por causa do form factor, teclado embutido e grande variedade de botões físicos, tornando possível o uso do aparelho com uma mão, e sem tocar na tela. Para um usuário convicto de Symbian, isto era importante.

Bom, fiquei bem atento a este telefone. Uma característica do Bruno, é que ele troca bastante de gadgets, portanto, logo este aparelho apareceria nos tópicos de venda do fórum ;) . Mesmo assim, eu estava contente com o meu E71. Mas aconteceu um fato desanimador: a minha bateria perdeu confiabilidade. Sabe quando a bateria acaba do nada, no meio de uma ligação, com o indicador bem longe do ponto crítico ? Então, isto aconteceu com a minha bateria por duas vezes, e bem quando venceu o ano de garantia! Graças a isto, resolvi partir para a compra do aparelho.

Bem, este aqui não é um review, e o link do review do Bleony tá ali em cima. Eu ainda irei fazer um review legal do aparelho, prometo! Mas aqui é só uma introdução. Então, citarei os motivos para eu efetuar a compra do aparelho:

  • Primeiro, foi porque queria saciar a minha curiosidade sobre Windows Mobile.
  • Acostumei demais a telefone com este form-factor: com teclado QWERTY frontal, sem ser slider. Se entrar no Brasil um Android com esse formato, eu irei olhar carinhosamente.
  • Apesar de ele ter o QWERTY frontal, a tela é em modo portrait, não em landscape com o E71 e os Blackberries. Isto o faz parecido com os Treos. Gostei muito deste formato de tela, ajuda muito a ler documentos, por exemplo.
  • Estou tentando utilizar mais e mais o Evernote. Existe um programa nativo para WinMo, e não para Symbian.
  • No final, comprei mesmo para saciar a minha vontade de conhecer o sistema, e paguei barato por isso ;)

O telefone é robusto, tem uma ótima pegada, não travou nenhuma vez comigo. Mas existe um inconveniente, algo que eu achei horrível! É ela.

A canetinha. Infelizmente, por mais botões físicos que o hardware tenha, WinMo necessita de canetinha para alguns momentos. O botão de scroll lateral faz a rolagem de tela ser toda manual, mas, para fechar alguns menus, principalmente os menus do próprio Windows Mobile, e não de apps de terceiros, só com a caneta para clicar na caixa de finalização. Não entendo como um sistema lançado após o iPhone (a versão do sistema do aparelho é a 6.1) ainda necessite tanto de usar caneta! Isso me desagradou profundamente, e é um dos pontos negativíssimos do aparelho. Acredito que a caneta seja ótima para algumas situações, como escrever anotações. Mas, se tornando um acessório indispensável, ela é péssima e desagrada. Tanto que não consigo ficar com o chip por mais de 3 dias nele, de tanto que me irrito com a necessidade de usar Stylus. Acho que a volta ao Symbian está muito próxima, hehe.

E em relação ao aparelho ? Bem, ele é ótimo. Embora datado (foi lançado em 2007) têm 3G, HSDPA e HSUPA, bluetooth, Wifi, GPS, com o WinMo 6.1 aceita cartões de até 16GB, etc etc. Completíssimo. O display é bom, brilhante e nítido, o conjunto de teclas de atalho é ótimo, e minimiza demais o uso da Stylus, o joystick é muito bom, a câmera é pior que a do E71, porque não tem foco, a gama de aplicativos é imensa. (não, não estou fazendo propaganda para vender. Mas aceito propostas ;) ). O teclado me impressionou. As teclas são levantadas em um formato, digamos, piramidal. Assim, já digito mais rapidamente nele do que no E71, o que é um feito e tanto, pois eu tenho mãos pequenas e digitava extremamente rápido! O plug do fone de ouvido é de 2.5mm, e os fones são regulares (melhores que os originais do E71, o que não quer dizer muita coisa). O sistema operacional, embora com suas falhas de design, possui bons aplicativos para um engenheiro elétrico, como um emulador muito bom de calculadoras HP (portado da versão do Palm), programas de simulação de circuitos eletrônicos, o Office dele é bom, embora ainda não encontrei um leitor de PDF que me agradasse.

A minha opinião é: para quem gosta de ficar procurando programas, soluções, ficar passando firmware e afins, comprar um Windows Mobile é um must, principalmente se for da HTC (não existem roms preparadas para meu i-Mate, a não ser as originais. Mas para aparelhos HTC existem infinidades). Mas, se você quer um aparelho para trabalho, e que seja necessário o mínimo de instalação de programas (aka: você não tem tempo para ficar vasculhando na net atrás de programas) fique com os Nokia ou Blackberries. Por mais que eu tenha gostado do aparelho (e, eu realmente GOSTEI!), por mais que eu esteja tendo muita paciência para me familiarizar, eu só tenho segurança de que não vou ficar a ver navios porque carrego o E71 na bolsa, só esperando a troca de chip. Ainda é cedo para dizer, mas, acredito que o Windows Mobile não é para mim. O uso da canetinha e a falta de bons aplicativos para a web 2.0 (não têm clientes bons de twitter, para rodar java obriga a instalar uma máquina virtual, entre outros) me fazem olhar com cada vez mais carinho na direção do Symbian (e Android, Maemo …).

Em setembro, o Rodrigo Toledo fêz um post sobre o livro Grátis, de Chris Anderson. Em seu post, ele cita o blog do Tiago Dória, que fêz um review (exclente por sinal!) do livro. No mesmo mês eu comprei o livro, mas somente agora tenho tempo para ler. E iniciei a leitura.

Chris Anderson é editor da revista Wired, e é autor de outro livro de sucesso, livro de nome A Cauda Longa. Como não li este livro, não posso falar muito sobre. As resenhas dos sites de venda dizem que, neste livro, o autor faz um ensaio sobre negócios do século XXI, mostrando que, graças ao advento da Internet, negócios de nicho são, hoje, tão lucrativos como produtos populares que vendem muito. Interessante e, com certeza ainda lerei este livro.

Voltando ao Grátis: O livro contém 16 capítulos, estes divididos em 3 tópicos, mais uma introdução: O que é Grátis, o Grátis Digital e A Economia do Grátis e o Mundo Grátis. Neste exato momento, acabo de terminar a leitura do primeiro tópico, o que é Grátis, e estou impressionado com a qualidade de seu conteúdo!

Imaginei que o autor trataria de sites que disponibilizam o conteúdo gratuitamente, ferramentas em geral, etc. Podemos citar o Google Docs, Flickr, Picasa, enfim, todas as ferramentas gratuitas disponibilizadas pela Web 2.0 e que eu e os frequentadores deste, e dos sites de tecnologia em geral, estamos mais que acostumados. Mas não, o autor fêz uma varredura muito abrangente, mostrando aos leitores o começo do modelo Grátis nos negócios, os quatro modelos principais de Grátis (sim, existem quatro modelos principais, e uma infinidade de modelos secundários!), e, também, toda a psicologia envolta por trás do Grátis.

Existe toda uma noção de valor em toda e qualquer transação existente; logo, ao retirarmos o valor, toda a noção que estamos habituados, deixa de existir. A internet amplificou esta noção: hoje, diversos bens, itens, softwares e até hardwares são disponibilizados gratuitamente. Mas, sim, alguém está pagando por isto.

Durante a leitura, eu acabei por pensar em relação ao grátis e minha vida. Um dos tipos de Grátis são as versões Freemium, que são onde os usuários pagos dos serviços pagam por todos os usuários gratuitos, pois o custo para manter o site é tão baixo, próximo a zero, e as margens de lucro são mantidas pelas mensalidades dos usuários Premium e por anunciantes. Flickr e Evernote são dois serviços que utilizam este modelo. Outro tipo de modelo são os adotados por livros e revistas: hoje, muitas revistas disponibilizam seu conteúdo inteiramente digital. Mesmo assim, muitas pessoas pagam por assinaturas, onde ganham as mesmas por valores mais baixos que os de produção, mas todo esse investimento é pago pelos anunciantes. As revistas de bancas de jornal, são utilizadas para o comprador têr uma amostra em suas mãos, algo que a experiência digital não replica. Ao contrário do que possa parecer, a venda em bancas de jornal não é o maior filão de lucro de uma revista: a maioria delas (revistas masculinas são exceção) têm seus lucros graças aos anunciantes, e seus maiores prejuízos nas revistas vendidas em banca, porque a maioria deste estoque volta e têm que ser reciclado.

Bem, e o modelo para livros técnicos ?

Este modelo é, ao meu ver, onde a psicologia do grátis acaba não se aplicando. Com o advento da internet, temos acesso a muita informação, algo inimaginável a 20 ou 30 anos atrás. Hoje, temos livros disponíveis em licenças como Creative Commons, que podem ser utilizados gratuitamente por quem os baixar (e eu não estou falando de pirataria!). Mesmo assim, a grande maioria dos técnicos, engenheiros, etc. preferem ter a sua cópia impressa em sua biblioteca física. O custo de impressão de um livro baixado na internet seria muito menor que a compra de um novo livro, por não estarem embutidos preços de transporte, royalites, licença, etc. Mesmo assim, acredito que seja difícil este modelo de negócios emplacar no mundo dos livros técnicos.

Algo que o grátis nunca vai causar é aquela sensação de conquista. Um estudante de eletrônica irá gastar mais de 100 reais para ter seu exemplar do Sedra; ele pode baixar este livro gratuitamente, através de sites piratas, ou também encontrar boa parte do seu conteúdo em outros livros, disponibilizados gratuitamente. Existem alguns sites de eletrônica excelentes! Mesmo assim, nenhum destes recursos irá substituir a sensação de conquista, por ter batalhado tanto para obter o seu bem. Isto, a sensação do Grátis nunca irá extinguir.

Enfim, recomendo a todos a leitura deste livro. Conforme eu for avançando na leitura, colocarei outros pontos interessantes aqui.

Um ótimo domingo a todos!